Olá leitores, como vão? Depois de mais e um ano sem publicar aqui estou eu novamente! Quero agradecer a todas as mensagens que deixaram nas publicações, estarei visitando o blog de vocês em breve! Hoje trago um livro que li pelo Kindle, estou utilizando mais ele agora que não tenho tanto espaço para livros físicos no apartamento, mas foi uma leitura muito gostosa e com passagens muito interessantes!
Um breve resumo:
A história narra a vida de Keiko Furukura, que, aos 36 anos, se vê trabalhando em uma pequena loja de conveniência e ganhando por hora. Keiko não tem expectativa de melhorar de vida, nunca teve nenhuma relação sexual ou amorosa e também não demonstra interesse em mudar isso. Desde a infância, Keiko se sentia deslocada da sociedade, como se tudo o que fizesse ou falasse fosse estranho demais para os outros, e viveu dessa forma até entrar na konbini. Quando começou a trabalhar na konbini, recebeu todo tipo de treinamento (como sorrir, como atender o cliente, o que falar e como agir) e, a partir desse momento, sentiu-se encaixada:
"Naquele momento, pela primeira vez eu fazia parte do mundo. Acabo de nascer, pensei. Sem dúvida, aquele dia marcou meu nascimento como uma peça no mecanismo do mundo."
Para Keiko, que se sentia deslocada desde pequena, seguir as regras e agir da mesma forma todos os dias era muito fácil, ela não precisava pensar no que falar ou como agir. Era sempre o mesmo, os clientes entravam, ela os cumprimentava: "Irasshanasê!". Keiko sabia de tudo sobre a loja, o que vendia nos dias quentes, como organizar melhor as prateleiras, era a rotina perfeita para quem queria um lugar para se encaixar.
Mas sua família e amigos começavam a se preocupar: quando Keiko iria conseguir uma carreira decente? Quando arrumaria um namorado? Essas e outras questões eram levantadas todos os dias e, por mais que Keiko afirmasse que se sentia feliz como estava, ninguém deixava isso de lado. Cansada de ouvir sempre essa mesma história, Keiko resolveu assumir um relacionamento de fachada com Shiraha, um funcionário novo que é descrito como misógino e sociopata, mas que aceita sua proposta e ameniza a angústia de todos que os cercam, fingindo ter uma vida normal e tentando fugir dos preconceitos.
A crítica social:
Podemos ver já pelo resumo que o livro se trata de uma sátira à sociedade e ao dever de se encaixar na mesma, principalmente com mulheres que não se encaixam no padrão pré-estabelecido da nossa realidade atual. Hoje em dia, para sermos aceitos na sociedade, devemos seguir à risca alguns padrões, entre eles: ter um relacionamento sério, uma carreira bem-sucedida e uma imagem física agradável. A protagonista achava a vida mais simples quando era baseada em uma rotina fixa e, em muitos momentos da leitura, ela se sente parte da konbini, finalmente se sentia como uma peça que finalmente estava encaixada em algum lugar. Mas, mesmo assim, a pressão sobre ela continua, o que força a mesma a tentar fazer parte de algo.
Nem tudo são flores:
Apesar de o livro trazer uma crítica social real e legal de discutir, a personagem acaba adotando uma personalidade quase que doentia: Quando se vê feliz sem preencher todos esses critérios, causa um desconforto, principalmente com a própria família, que a trata de forma melancólica e até a ajuda a inventar histórias e ter falas prontas para, quando questionada, "parecer bem aos olhos dos outros". A mesma até usa a desculpa de ter problemas de saúde para se safar das perguntas alheias.
Em vários trechos do livro, podemos ver Keiko agir sem empatia, tentando resolver problemas de forma um pouco direta, mas que pode soar agressiva e assustadora para outras pessoas. Por isso, se sente feliz na konbini, onde é ditado o que tem que fazer e vive em função disso. Keiko, em vários momentos do livro, se descreve como sem personalidade: comprando roupas no mesmo lugar que outras funcionárias compram e imitando o jeito que elas falam apenas para ter assunto e tentar fazer parte de algo. Mas essa associação doentia com o trabalho faz com que a mente de Keiko esteja na konbini 24 horas e traga alguns problemas existenciais. Quando se afasta do local, em um momento da narrativa, começa a ter vários pensamentos conturbados:
Em minhas pesquisas, vi algumas discussões sobre essa personagem ter algum problema psicológico, mas a discussão é longa: alguns julgam a personagem como tendo algum transtorno social, outros já dizem que a mesma só é uma pessoa sem identidade e que muitos se identificam assim.
Minha leitura:
Eu gostei bastante da leitura, foi fluida. As descrições da konbini são ótimas, você realmente sente como é o local que a personagem descreve. Gostei muito da crítica que a leitura traz, e ela traz os dois lados: a sociedade que impõe que tenhamos uma série de regras a seguir e a personagem que acaba se entregando à saída mais fácil, que é viver de forma robótica, ter falas prontas, aceitar um destino básico e comum.




















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